
O dia-a-dia no campo de batalha era só mais um despertar de um pesadelo, que afetava nossa realidade de forma bruta, com explosões e tiroteios. Estava vivendo no limite e cada segundo que passava era um eterno fogo contra fogo. Para o Rei dos reis, éramos os doze condenados.
Apelidado de o Exterminador, o nosso batalhão passou por dias de treinamento. Éramos nascidos para matar o inimigo em círculos de fogo. Andando além da linha vermelha, fomos capturados em uma emboscada pelo exército japonês, que havia bombardeado Pearl Harbor.
Eu comandava 11 soldados, entre eles os meus antigos amigos Patton e Ryan, além de Truman, Gump, Potter, Ben Hur, Kane, MacGyver, Bond, Bean e Carlitos.
O cativeiro parecia uma fortaleza. Demos o nome de alcatraz, pois era missão impossível tentar escapar. Toda manhã havia um novo dia para morrer e o primeiro foi o jovem justiceiro Harry Potter, morto asfixiado em uma câmara secreta no 13º andar de uma das duas torres, próximo à ponte do rio Kwai. Foi triste: ficamos calados e cabisbaixos, éramos os reféns do silêncio.
O dia seguinte foi o mais longo dos dias. Estávamos de volta ao inferno quando todos os prisioneiros foram marcados para a morte. MacGyver era o salvador. Com seu canivete suíço, conseguiu, em 60 segundos, abrir a cela. Libertamos os outros prisioneiros do local e corremos velozes e furiosos, atacando os sete samurais que estavam de carcereiros. Pegamos nossas armas e nos preparamos para um mortal kombat com os japoneses. Escondidos, aguardávamos os sinais de Bond, o nosso franco atirador, que preparava a nossa fuga do inferno. Éramos o alvo principal das forças inimigas e qualquer ruído seria uma fatalidade, ou o confronto que marcaria nossas vidas. Um clima de alta tensão pairava no ar, estávamos com os nervos à flor da pele, os soldados estavam suando frio à espera de um milagre. Após Bond sinalizar a melhor passagem para a louca escapada, o pelotão correu numa busca frenética pela sobrevivência, mas acabamos nos deparando com um grande duelo.
Tiroteios aos montes. Um enxame de balas passavam a 8mm de nossas cabeças. Tiros de misericórdia, tiros no coração, tiro na noite, noite interminável. Já passava do 6º dia, madrugada sangrenta, regada a rajadas de fogo, em um céu iluminado por relâmpagos de explosões.
Depois de 15 minutos de intensa correria, conseguimos nos esconder e pelo rádio de alta freqüência de Patton, consegui chamar reforços. Olhei para os lados e contei, além de mim, 10 corações valentes e logo exclamei para Patton: - Onde está Ryan?
Neste momento crítico, fiz contato com as forças aliadas, que enviaram mantimentos, medicamentos e helicópteros. Decolei com Patton e Truman em uma busca alucinada para o resgate do soldado Ryan, atrás das linhas inimigas. Rasgando o céu em chamas, em águias de aço, conseguimos resgatar Ryan.
Do alto, só escutávamos os gritos do silêncio. A palavra destruição era pouco para os rios vermelhos de sangue, formado pelo apocalypse no império do sol.
Foram 28 dias de pura agonia. Nada melhor do que voltar para casa e ver o choro de felicidade de nossas famílias, compartilhando amor e dor lado a lado em fortes e longos incansáveis abraços de carinho.
Fomos heróis de guerra porque lutamos até o limite da honra, com determinação e bravura indômita. Depois de heróis, o pelotão se separou e cada um dos guerreiros foi viver os tempos modernos. Patton seguiu carreira e se tornou um General; Truman ganhou a graça do público e virou apresentador de televisão, montando o seu Show de Truman; o soldado e cidadão Kane virou um forte político e ficou milionário; Ben Hur casou-se na Grécia e foi morar em Roma; James Bond tornou-se ator de Hollywood; MacGyver foi trabalhar como produtor de minissérie de TV; Bean e Carlitos tornaram-se comediantes (Mr. Bean e Chaplin); Gump tornou-se contador de histórias e Ryan se aposentou e foi morar no interior dos Estados Unidos.
Eu? Bem, após uma noite no museu da Segunda Guerra, recordando todo esse caos, tornei-me um jornalista. O único problema dessa trágica lembrança é que não esperava que fosse convocado a participar de uma outra guerra. Desta vez, não serei membro de uma tropa de elite, mas comandarei um programa de rádio, chamado Bom Dia Vietnã.
Por Ricardo Morgan: cinetrix@hotmail.com
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