
Confira nos links abaixo, o documentário completo "A Carne é Fraca".
O vídeo, produzido pelo Instituto Nina Rosa e dirigido por Denise Gonçalves, mostra a realidade nos abatedouros no Brasil e o impacto ambiental causado por essas empresas de abate.
Duração: aproximadamente 50 minutos.
Parte 1:
Parte 2:
Parte 3:
Parte 4:
Parte 5:
Parte 6:

"Shrek Terceiro" peca no excesso de personagens
Atualmente, quando uma história é prolongada em continuações cinematográficas, os produtores e roteiristas têm mania de inserir vários novos personagens e histórias mais detalhadas. Isso, na maioria das vezes, pode prejudicar o roteiro, exige um esforço maior na direção e pode irritar o espectador, que acabam assistindo longas medianos ou ruins. Sem falar na pressa da produção em faturar seus milhões quando um determinado tema ainda está quente na mídia, fato que contribui para que o filme apresente fracos roteiros recheados de furos e clichês. Os exemplos disso são os recentes "Homem Aranha 3" e "Piratas do Caribe - No Fim do Mundo". Infelizmente, "Shrek Terceiro" se encontra nessa "cultura fast food" do cinema, ou seja, é uma produção feita as pressas, é de rápido consumo e proporciona dinheiro rápido nos cofres da produtora.
Quando o rei Harold (voz de John Cleese na versão americana), pai de Fiona (Cameron Diaz), morre, Shrek (Mike Myers) recebe o convite de ser o Rei do reino de Tão Tão Longe. Ao recusar o convite, Shrek, Burro (Eddie Murphy) e o Gato de Botas (Antonio Banderas) precisam encontrar alguém que possa substituí-lo no cargo. O principal candidato é o primo de Fiona, Arthur (Justin Timberlake), um jovem que é chacoteado por todos no lugar em que vive. Shrek corre contra o tempo para achar Arthur e levá-lo para Tão Tão Longe antes que o Príncipe Encantado (Rupert Everett) promova um golpe de estado para se tornar Rei.
As aventuras anteriores de Shrek faziam da sátira o fio condutor do sucesso da animação. O fato de brincar com os contos de fadas geravam missões divertidíssimas para os protagonistas. Nesta terceira seqüência o humor de duplo sentido que conquistou os adultos e a parodia das referências icônicas dos contos de fadas, que acostumamos a assistir nos filmes anteriores, estão em segundo plano e menos presentes.Na trama todos os personagens estão mais coadjuvantes do que nunca e Shrek não é mais o centro das atenções. O roteiro dá mais espaços para os diversos personagens, alguns são novos como Arthur (não soa como sátira da famosa lenda), Lancelot, Merlin (que está a la Monty Python) e as árvores de o "Senhor dos Anéis – As Duas Torres", e outros, que já existiam, ganharam mais destaques, como o Capitão Gancho, a Rapunzel, a Branca de Neve, a Cinderela, a Bela Adormecida, o barman travesti e o Príncipe Encantado. O excesso de novos personagens deixou cair um pouco a qualidade do script e fez da direção do estreante Chris Miller (substituiu Andrew Adamson) oscilar eficiência e insegura em certos momentos. Por causa disso, o enredo tenta enfocar todos ao mesmo tempo de maneira rápida e as vezes equivocada, surgindo os tradicionais furos. Sem falar nos protagonistas, principalmente o Gato de Botas e o Burro falastrão, que estão menos expostos na história.
Os outros pontos negativos do roteiro são as situações cômicas que estão recauchutadas, semelhantes com as piadas situacionais do segundo filme, e a falta de originalidade e do sarcasmo inteligente de Shrek dos longas anteriores. Por outro lado, o script acerta em retratar o protagonista em uma interessante crise de meia idade, tendo que lidar com a preocupação de ter um novo e mais exigente emprego, no caso de ser ganhar o trono do reino Tão Tão Distante após a morte de seu sogro, e o medo de ter filhos.
Os destaques do filme ficam por conta da deslumbrante parte técnica e do visual cada vez mais colorido. Pena que sejam poucos os bons momentos do roteiro, como os primeiros 15 minutos, a aparição dos filhotes do Burro, o flashback do biscoito, o pesadelo de Shrek (satiriza "O Bebê de Rosemary"), a seqüência que brinca com "As Panteras" (principalmente a cantoria da Branca de Neve para atrair os bichos) e os minutos finais após o clímax. Outro destaque é a dublagem em português que traz Mauro Ramos no lugar do falecido Bussunda, do "Casseta & Planeta", na voz de Shrek. O dublador, que foi responsável pelas vozes de Pumba, em "Rei Leão", e de Abu, em "Samurai Jack", havia sido escalado pela Paramount para fazer a voz do ogro desde o primeiro filme, porém na última hora foi substituído por Bussunda.
O ogro mais famoso do cinema continua verde, feio e cheio de problemas para resolver em sua vida, porém o mais grave deles é não conseguir ser tão engraçado como nas aventuras anteriores. "Shrek Terceiro", embora peque em alguns aspectos tradicionais vistos em continuações, é mediano e está longe de ter uma narrativa contagiante como nos seus antecessores. Certamente deverá agradar mais o público infantil. Para o público adulto ele é divertidinho, apenas troca as gargalhadas por leves sorrisos.
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(Shrek The Third/EUA/2007) * * *
Crítica N.º 487
Por Ricardo Morgan:
cinetrix@hotmail.comBelo Horizonte – 19/06/07
Confira o trailer de "Shrek Terceiro":

1961 d.C.
O filme "Os 300 de Esparta", de 1961, dirigido por Rudolph Mate e estrelado por Richard Egan (Rei Leônidas), Ralph Richardson (Themistocles de Atenas), Diane Baker (Ellas), Barry Coe (Phylon) e David Farrar (Xerxes), valoriza os elementos históricos. Com filmagens na Grécia, o longa fez sucesso na época de seu lançamento e alimentou a febre do gênero que estava em ascensão no cinema.
A produção, que está disponível em DVD no mercado, é bem inferior na qualidade técnica e de conteúdo de longas da mesma época, como "Ben Hur" (1959), de William Wyler, e "Spartacus" (1960), de Stanley Kubrick. A falta de recursos naquela data de se produzir um filme épico é bastante visível, principalmente quando se diz respeito a ausência de infra-estrutura para dar realismo aos longas. Um exemplo disso em "Os 300 de Esparta" é a falta de figurantes. Citado nos textos de Heródoto como milhões de soldados, o filme apresenta um exército persa com pouqíssimos homens, difícil de acreditar no exército mostrado na película.
O frágil roteiro, escrito pelo diretor Rudolph Mate e por George St. George e baseado nos textos do historiador Heródoto, permite um espaço maior para alguns personagens, tem um fundo histórico fiel e, infelizmente, se perde do desenvolvimento político da trama em relação a batalha. Aqui, as figuras da narrativa são mostradas de maneira humana. Xerxes tem boa presença no enredo, participa das intrigas nos bastidores da batalha e está obcecado para vingar a morte do pai Dario I. Leônidas é quase um coadjuvante e demonstra coragem e fraternidade. Já o ladrão e traidor Efialtes aparece pouco, não sabemos nada sobre o seu passado e quase não tem falas, porém tem uma presença decisiva no combate.
O script não deixa de fora as tradicionais frases de efeito, como "à noite tem mais fogueiras de acampamento do que estrelas no céu... ‘quando garoto, eu sempre quis tocar as estrelas coma minha lança", "volte vitorioso com este escudo, ou morto sobre ele" e "nossas flechas encobrirão o sol... então lutaremos na sombra".
A trama evita mostrar os treinamentos espartanos e retrata os dias que precedem a grande batalha de Termópilas. Inclusive, valoriza alguns elementos históricos, como as discussões pré-guerra do conselho espartano e a trajetória do guerreiro Agathon, após ser capturado pelos soldados de Xerxes é libertado para contar a Leônidas o tamanho dos persas. A ação se divide nas discussões políticas do conselho, na preparação de Xerxes antes da guerra, e na escursão de Leônidas, após infringir as leis espartanas.
Muitas passagens soam artificiais e mal conduzidas, desde as atuações novelescas do elenco, as intrigas políticas que estão soltas no roteiro, os romances sem tempero até a fraca cena de batalha no final. Parece que não se preocuparam em criar coreografias para as lutas. Apenas os primeiros embates entre gregos e persas são interessantes. A ótima e bem desenhada direção de arte, o competente figurino, as belas locações e a demonstração de coragem dos espartanos no clímax se sobressaem no filme.
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(The 300 Spartans, EUA, 1961) * * *
Crítica N.º 486
Por Ricardo Morgan: cinetrix@hotmail.com
Belo Horizonte – 06/04/07
Confira o trailer de "Os 300 de Esparta":

2007 d.C.
A história de Frank Miller, inspirado nos textos de Heródoto, o qual "300" foi baseado, tem um pé na realidade e outro na ficção. "O filme é uma história sob a perspectiva espartana. São caras que procuram por uma morte bela. São pessoas que jogam crianças que julgam imperfeitas na colina e espancam os filhos para que fiquem durões", afirma o diretor Zack Snyder, em entrevista publicada na revista Galileu, de março de 2007. A verdade é que o fato histórico serve apenas como um pano de fundo para o longa.
O roteiro, escrito por Snyder, Kurt Johnstad e Michael Gordon, se afasta um pouco do contexto histórico e constrói um universo fantástico semelhante ao livro, repleto de ação, tragédias, violência artística, virilidade e absurdos, narrado em off de pelo personagem Dilios. O foco está sempre na trupe dos 300 de Esparta, fato que deixa de lado uma abordagem sobre os outros exércitos gregos e a batalha naval entre os navios atenienses e persas.
A trama, apesar de ser fraca ao tentar abordar a intriga política, é eficiente ao inserir elementos fictícios que enriquecem a aventura, como na caracterização dos soldados persas com rostos monstruosos (lembram os monstrengos de "O Senhor dos Anéis"), o tamanho exagerado (3 metros de altura) e a voz amplificada de Xerxes, a assustadora arte com corpos mortos que são empilhados como muralhas ou dependurados em árvores, e as situações inventadas na conclusão (será que foi aquilo mesmo que aconteceu? Pois Dilios não estava lá para relatar a história).
O ponto fraco da produção é a subtrama puramente hollywoodiana, cansativa e mal explorada, que envolve o personagem Theron, inventado para o longa-metragem. Ele participa do drama paralelo com a Rainha espartana Gorgo, e tem o objetivo de manipular o conselho espartano a resolver a situação a favor de Xerxes, contrariando a Rainha que tenta convencê-los a guerrear pela liberdade Espartana. Parece obsessão de Hollywood em inserir traições diplomáticas e desejos sexuais, assim como a inserção de clichês, como "atrás de cada homem existe uma grande mulher" e inúteis cenas de sexo. Esta última, embora não tenha no quadrinho, pode servir como um contraponto "homoerótico", devido à escassez do figurino dos soldados espartanos que exibe homens másculos e seminus.
Nas entrelinhas de "300", há uma leitura política atual sobre o conflito de civilizações e uma apologia antiterrorista. Coincidência ou não, o melhor exemplo é a invasão norte-americana ao Iraque.
A tecnologia para a inserção dos cenários digitais é a mesma utilizada em "Capitão Sky e o mundo de amanhã" e "Sin City". "Preciso dar crédito a Robert (Rodriguez) por criar uma estética Frank Miller", declara o diretor Snyder, em entrevista concedida a revista SET, de março de 2007, referindo-se da influência de "Sin City" em "300". Um detalhe que deixou a ação mais realista foi o intenso treinamento das coreografias dos atores.
Falando no elenco, o destaque vai para o escocês Gerard Butler ("O Fantasma da Ópera"), que interpreta Leônidas, e o brasileiro Rodrigo Santoro ("Simplesmente Amor"), que faz o seu melhor trabalho em Hollywood vivendo o imperador Xerxes. Butler carrega seu personagem à base de discursos militaristas, muita testosterona e gritos, retratando com eficiência a bravura e a ousadia (a desobediência de Leônidas após o conselho de magos e anciãos rejeitar seu pedido de guerrear contra os persas) de um Rei que não está acostumado a perder batalhas. Já Santoro, se vê com três metros de altura, voz extremamente grave e com figurino caricato repleto de pingentes e piercings de ouro, encarna bem o personagem que procura ter a postura de um "quase Deus" másculo. Ao mesmo tempo ele é delicado e arrogante.
O grande barato de "300" é o seu visual arrebatador. O filme mistura fotografia sépia dessaturada e imagens aquareladas para retratar com fidelidade a fantasia de Miller em sua novela gráfica. Os outros destaques da bela estética são a violência estilizada e artística que valoriza sempre a cor vermelha, os deslumbrantes efeitos digitais, as contagiantes batalhas regadas ao som do rock e as movimentações de câmera, muitas delas em tomadas lentas, que fazem de "300" um espetáculo de rara beleza e um entretenimento de primeira.
Comparando à HQ com o filme, a maioria das imagens e diálogos do livro está transposta com fidelidade à película de Zack Snyder. No entanto, se analisarmos as cenas do filme em relação à HQ, descobriremos diversas situações maquiadas, como a inexistente cena de sexo entre Leônidas e Gorgo, os gigantes persas, a queda de um rinoceronte, a criança que morre nos braços de Leônidas após um ataque persa e a bela e bizarra árvore de mortos. Inclusive, a subtrama política envolvendo Theron e Gorgo, que deixou o drama paralelo do filme pobre, nem sequer são mencionados por Miller. Os traços da rainha Gorgo mal aparecem no livro, ao contrário do longa, onde ela desempenha um papel importante.
A extensão inventada pelo roteiro do filme não chegou a ser um grande problema. Se não fossem pela espetacular estética e pela parte técnica do longa para esquecermos as "anomalias" forjadas, com certeza o filme seria presa fácil para um possível fracasso na batalha pelo topo das bilheterias.
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(300/EUA/2007) * * * *
Crítica N.º 485
Por Ricardo Morgan: cinetrix@hotmail.com
Belo Horizonte – 06/04/07
Confira o trailer de "300":
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